O Início, o Meio e o Fim

No início tudo é aprendizado. A engatinhar, andar, falar, e assim por diante.

A chegada ao colégio é outro aprendizado. Relacionar-se, novos descobrimentos, adolescência, amores.

A faculdade traz, muitas vezes, o trabalho sacrificado. A necessidade de ganharmos dinheiro para o início do nosso sustento. A maturidade, e, aí, a família, filhos, netos, quem sabe bisnetos e, então …

Bem, o mais polêmico é o fim.

Como acabar bem uma vida que começou sem consciência. Nascemos sem querer. Quando nos demos conta, estávamos vivos.

E agora? O “terminar” estamos conscientes de que acontecerá. Mas como? Essa é a questão.

Dependeremos somente de nós ou de alguém? Dos filhos, dos parentes? Dos amigos? Dos vizinhos?

Impossível saber ao certo. Mas desconfiamos que, a cada ano que envelhecemos, temos a obrigação de tentar não depender de ninguém.

Devemos procurar uma solução para não ficarmos ao desamparo monetário. Infelizmente essa é a questão principal.

Trabalhe, viva, desfrute, gaste o que for preciso. Mas lembre-se, economize para o final. Abra uma conta, poupe o suficiente para não precisar de qualquer pessoa.

Não confie nas instituições públicas para lhe amparar. Os parentes e descendentes são suspeitos de uma forma geral, existem exceções, mas você confiaria que será o seu caso?

Dependa somente de você. Trabalhe o final desde o meio. As pessoas que vão te amparar devem ser cuidadosamente escolhidas desde já. Deixe uma manifestação de vontade detalhando quem, onde e com qual capital vão cuidar de você.

De preferência não nomeie descendentes diretos, dê preferência a quem lhe foi grato por algo importante que você proporcionou para a vida de alguém. Lembre-se que os filhos são suspeitos porque sempre acham que você nunca fez o suficiente por eles ou que fez mais por uns do que por outros.

Ou deu mais para uns do que para os outros, enfim, tirando, como sempre, as honrosas exceções, que são incrivelmente raras, não confie em quem nunca achou que você foi justo o suficiente.

Seremos frágeis, sensíveis, fracos, talvez doentes. Precisaremos de ajuda para muitas tarefas que hoje realizamos automaticamente.

Somente alguém com muita bondade no coração e altruísta para com a sociedade vai tomar essa tarefa com desvelo.

Certamente essa pessoa, terá de ser ajudada monetariamente a cuidar de nós. Ajude-a a te ajudar.

Pense nisso enquanto tiver forças para trabalhar e lucidez para pensar.

No final o corpo virá um fardo que ninguém quer carregar. Depois que perdemos a utilidade social, tornamo-nos um estorvo social.

É nessa hora que o dinheiro economizado retornará em um final com dignidade, altivez, soberania. Morrer como um cidadão. Ter vivido tal qual.

Não é morbidez, é cautela. Seja visionário do seu corpo, da sua alma, do seu destino, do seu final.

Quando não pudermos mais decidir conforme nossas determinações, nada mais vai adiantar. Seremos jogados daqui para lá como um grande problema. Ouviremos as seguintes ponderações sem qualquer pudor, ao nosso lado mesmo: “o que faremos com o papai?” Ou com o vovô, ou com o tio, ou com o nosso velho amigo?

Enfim, não vamos permitir que decidam o nosso destino final. No final, você decide, já. Agora. Pense antes para não ser “pensado” sem opinar.

Um dia estaremos nessa situação. Não há dúvida disso. Prepare-se. Quando as forças acabam, pelo motivo que for, o corpo transforma-se em um veículo a ser estacionado em qualquer lugar do acostamento para aguardar que a limpeza pública leve para um lixão.

Nossa obrigação é determinar, prever, tornar claro o nosso destino parcial até a chegada do final.

Cuidado, as atitudes de força, de prepotência, de arrogância, de superioridade, enquanto as possuímos, poderão redundar em consequências imprevisíveis quando nos tornarmos fracos. Seja justo! Sempre. Na dúvida, seja bondoso! Tenha paciência, sempre! A criança, o adolescente, o fraco punido com exacerbação, truculência, força excessiva, impulsividade, abuso de poder, hoje, será, daqui a uns anos, possivelmente a pessoa que decidirá o seu destino final. Seja quem for.

Não seremos assim a vida toda. Quando a fila andar, no futuro, poderemos já estar parados.

Um ano, dois, dez, cinquenta, passam muita depressa. Parece que não, mas passam.

Se a máxima que diz “aqui se faz, aqui se paga” for correta, precisamos rever nossas atitudes, repensar nossos atos.

Ainda dá tempo. Antes de acabar, faça alguma coisa por um final digno. Seja digno, todo o tempo!!!

Feliz ano novo!

 

 

Uma resposta

  1. Gianna Monteiro
    | Responder

    ótimo p/ reflexão e claro ação!!!

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