Eu acompanho a maioria!

De há muito se vem discutindo sobre a responsabilidade  dos contribuintes quanto ao pagamento de impostos. Sabemos que, com relação à falta de pagamento dos mesmos, o governo possui inúmeros recursos para cobrá-los. Temos as procuradorias existentes apenas para esse fim. Temos as execuções fiscais e, finalmente, os inquéritos policiais como forma moderna para cobrança de forma inversa.

O que não sabemos, bem ao certo, é como deixar de pagar os impostos de forma legal, nos limites da lei. Ora, os tributos são cobrados como forma de administração pública, ou seja, devem ser revertidos para os próprios contribuintes.

As maneiras são aquelas mais conhecidas, tais como, educação, saúde, transporte e segurança.

Creio que outras formas menos comuns não necessitam ser discutidas nesse breve comentário.

Assim sendo, iniciando pela educação, questionamos se a maneira pela qual o governo nos devolve as contribuições pagas satisfaz, em termos de qualidade, com o resultado que se espera.

Acreditamos que não. Salários incompatíveis, salas e prédios sem estrutura e material oferecido de qualidade discutível, além da questionável merenda.

Assim sendo, quem vai para a escola pública são aqueles menos capazes de prover possibilidades melhores a seus filhos, o que vale concluir que para termos uma educação à altura precisamos que nossos filhos frequentem escolas particulares.

Escolas particulares são caras mas os salários são melhores, a estrutura é melhor e, desta forma, o particular faz o que o público deveria suprir.

A saúde é lastimável. Quem já visitou o SUS ou qualquer outro hospital da rede pública teve a oportunidade de presenciar macas nos corredores e pacientes no chão. A morte às vezes vem não pela doença, mas pela ausência ou rapidez no atendimento. É a rede pública matando o contribuinte que deveria salvar. Recebe impostos para isso?

Lembre-se que quando você fuma a arrecadação é de quase setenta por cento de impostos sobre o valor do maço. Quando você contrair alguma doença em virtude do cigarro o atendimento público não vai ser condizente com o percentual arrecadado.

Entendeu? O governo taxa alto seu vício. De bebida, fumo, etc. Mas se precisar de atendimento…

Vamos, desta forma, para a rede particular. Convênios, planos, enfim, na rede particular, embora nem tudo funcione às mil maravilhas, ao menos tem-se a sensação de que existe alguém para reclamar.

O transporte público sempre deficitário, filas e mais filas para ônibus de terceiro mundo cuja frota deveria ser obrigatoriamente renovada. Tarifa acima da média da inflação com explicações incompreensíveis de planilhas elaboradas de forma ininteligivel.

Conclusão, carros e mais carros no trânsito caótico porque nunca houve planejamento para o aumento do número de veículos em relação à possibilidade de os mesmos transitarem em ruas e avenidas já saturadas e não ampliadas.

E mais: as campanhas para vendas de automóveis são cada vez maiores. Porquê? Por que pagamos impostos, impostos caros para você ficar parado, imóvel no trânsito cada vez pior. O certo era, de há muito tempo, suspender a venda de automóveis até que houvesse planejamento para a mobilidade dos mesmos. O transporte público, através de trens e ônibus de primeiro mundo deveria ser priorizado para que as pessoas deixassem os carros possibilitando fluxo maior de escoamento.

Mas essa medida fará com que os impostos sobre veículos e combustível acabe com a arrecadação milionária às nossas custas. Então não reclame, fique parado. Espere ser assaltado enquanto pensa o quê diabos eu estou fazendo aqui, parado. Eles vão continuar andando de helicópteros, jatinhos e aviões pagos por nós. Imaginem, nossos funcionários andam de transportes de primeiríssima qualidade enquanto ficamos neuróticos no tráfego.

Finalmente a segurança. Empresas de monitoramento, segurança privada, alarmes, guardas particulares, enfim, uma gama extensa de ofertas para provar que o público não funciona.

Ninguém se sente protegido com o sistema público de proteção ao cidadão. Desde a corrupção até os míseros salários, tudo leva a crer que estamos armando pessoas que deveriam estar em outra atividade, para dizer o menos.

Pessoal desmotivado e despreparado assumem a função de nos proteger e, se não fosse por um punhado de profissionais competentes e dedicados, às custas de apenas seus ideais, estaríamos realmente em meio a uma guerra civil urbana sem ter para onde correr.

Então para que pagamos impostos se o resultado é sua própria ausência? Em uma iniciativa privada ninguém paga salários se não houver a contraprestação em serviços. Uma vez que o serviço não preste ou seja deficiente, demite-se o funcionário.

A empresa que não proporciona o serviço que esperamos tem seu contrato rescindido. Simples assim.

Porquê essa teoria não funciona para os serviços públicos?

Por que pagamos e não exigimos.

Simplesmente colocamos dinheiro nas mãos de pessoas erradas. Somos traídos em nossa confiança. Contratamos e não fiscalizamos. Culpa nossa.

E se o governo cobra impostos nossos e não devolve à altura, consequentemente se não pagarmos mais os impostos o governo ficará sem dinheiro para administrar. Ficando sem verba param os serviços públicos. Parou. Você sentiu alguma diferença? Continua na escola particular, continua andando com o seu carro, continua com a sua vigilância própria e mantém seu convênio médico pago para o caso de precisar.

Quem sentiu a falta do nosso dinheiro? Eles. Quem sentiu a falta dos serviços que eles deveriam fornecer? Nós, não.

Se assim procedêssemos eles teriam de melhorar a qualidade de tudo que prometem devolver a nós e não cumprem? Sim, até porque sem impostos eles não recebem, e aí ou melhoram ou estão sem salário, praticamente de aviso prévio.

São funcionários públicos, pagos por nós, fiscalizados por nós. Deveriam ser dispensados a bem do serviço público por nós. Sim, por nós.

É por isso que existe a estabilidade no serviço público. Se houvesse a demissão por ineficiência, como para todos os outros mortais, não permaneceria nenhum incompetente. Mas se você tem estabilidade, qual é a vontade de trabalhar? Cadê a motivação? O bem estar público? Ah, brincou!

O nosso salário mínimo é de R$ 540,00. Não vou mencionar o mínimo deles, seria injusto com a indecência.

Mas, para que isso aconteça de forma legal, a sugestão é de uma ação de consignação em pagamento dos impostos alegando que ficarão à disposição do judiciário até que os serviços sejam fornecidos de forma satisfatória, não humilhante, não degradante e eficiente, como os serviços públicos, no mínimo, deveriam ser.

Se o Estado tem como cobrar, temos como discutir o pagamento ante a deficiência do resultado, ou insatisfatório.

Retirando a verba mal administrada fazemos com que as pessoas desçam de seus pedestais, parem de se achar, e começem a trabalhar.

Precisamos parar de confundir nossos funcionários com personalidades públicas, são funcionários públicos.

Se aparecem na teve ou rádio não é porque são personalidades, são funcionários nossos utilizando-se dos veículos de comunicação para nos darem satisfação do que deveriam estar fazendo.

Não pensem que porque aparecem em meios de comunicação são celebridades. Nunca foram, são nossos funcionários, fazendo o que deveriam fazer pois os pagamos para isso.

Celebridade é quem traz benefícios a todos e, para isso, utilizando-se de meios próprios e de sua capacidade individual, proporciona uma melhor qualidade de alguma coisa para a maioria. Einstein, Pasteur, etc.

No funcionalismo é o inverso. Eles usam nossos carros, nosso combustível, nosso dinheiro e se acham importantes porque fazem, ou deveriam fazer, aquilo que esperamos que façam. Sempre.

Se as famosas atrizes de novela fossem ministras seriam nossas funcionárias da mesma forma, apenas que saberíamos que a capacidade de representar delas seria inato. Mas teriam de trabalhar em prol do serviço público, e não nos fazer de público em prol de seu serviço.

Pensemos, pensemos, é a única forma não controlável de manifestação espontânea, quieta, não audível.

O protesto deve ser inteligente, racional, firme, mas coeso. Quando das “diretas já” a lição foi fornecida. Ninguém fica se a maioria não quer.

Funcionários públicos são cerca de dez mil. Nós somos milhões. Eles tem de trabalhar para nós. E não nós trabalharmos para eles.

Sustentando-os com impostos e não fiscalizando ou protestando, transformamo-os em celebridades, personalidades.  Damos direito a fazer com a verba arrecadada o que quiserem. Se não protestarmos, acomodam. Se não nos mobilizarmos, permanecem estagnados.

É assim o serviço público, apenas serviço, o público somos nós.

Quando pagamos ingresso e o show não está à altura, temos o direito de vaiar. Se for de má qualidade temos o direito de exigir nosso dinheiro de volta.

E os impostos? Os impostos vão ficar para o show mal feito, mal preparado, um espetáculo mambembe de soluções meia boca para tapar a boca de alguns e fingir que contenta a todos?

Política romana do “pão e circo”?

Pode ser, vocês decidem, eu acompanho a maioria!

4 Respostas

  1. William Alfredo Attuy
    | Responder

    É lamentável o que esta ocorrem em nosso Pais, ao mesmo tempo, em que é muito triste, pois, não teremos uma solução a curto prazo. Acompamho também !!!!!!!!!!

  2. Tânea Monteiro
    | Responder

    Essa é a dura realidade de um povo que foi acostumado a engolir “sapo” e fingir que gosta!Acompanho também!!!

  3. Gianna Monteiro
    | Responder

    Talvez um problema cultural?
    Será que quando nós, os brasileiros, tomarmos consciência de que o país também é responsabilidade nossa, isso não mude?
    Se passarmos à agir e, a pensar que o país, estado, cidade, bairro, rua, etc; são nossa casa também e, começarmos a cuidar deles, será que tudo não melhora?
    Será que os governantes nos levarão mais a sério? E passarão a cuidar melhor de nosso país também? Quem sabe deixarão de nos oferecer apenas pão e circo?
    Como otimista que sou acredito que esse dia vai chegar!!!

  4. Herbert
    | Responder

    Excelente post.

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