Casos Bruno e Mercia Nakashima: o Sistema Policial a Serviço da Defesa

Estamos acompanhando os casos da “desaparecida” Eliza Samudio e a morte da advogada Mercia Nakashima.

O que nos chamou mais a atenção desde o início dos episódios é que os acusados (envolvidos ou suspeitos), dividem o espaço dos noticiários tanto quanto as autoridades policiais envolvidas.

E, o pior é que, quanto à polícia, acaba fornecendo à defesa inúmeros fatos que, se bem explorados (e o serão), acabarão redundando em absolvição por falta de provas ou, no mínimo, condenações pequenas que ensejarão cumprimento de pena em liberdade ou período mínimo na prisão.

E de quê adiantou então o “espetáculo” que vimos assistindo através de toda a imprensa?

Bem, sem sombra de dúvida promoveu alguns representantes do sistema policial em foco.

Na medida em que entrevistas foram concedidas desde o início das investigações, na medida em que os fatos foram propalados a cada segundo que aconteciam, na medida em que os “interrogatórios” iam sendo divulgados em rede nacional, mais os advogados de defesa estavam convencidos de que seus clientes estavam “protegidos”.

“Protegidos” pelo nosso sistema penal que de há muito se sabe que, quanto mais confuso o caso, quanto mais contraditório forem os depoimentos, quanto pior forem as provas arrecadadas, e quanto mais as entrevistas forem alardeadas, mais as chances dos acusados se tornarem vítimas.

É o que está se tornando este jogo de vaidades.

Autoridades policiais em rede nacional. Perfis desconhecidos que passam a ter seus inúmeros minutos de glória. Isso é bom e a grande maioria gosta.

Estão se esquecendo que, certamente, as famílias das vítimas e, mormente, a opinião pública, não estão gostando nem um pouco do rumo que as investigações cinematográficas estão se desenrolando.

Mas, elas, as famílias apenas emprestaram seus protagonistas para a visibilidade de muitos. Dois se foram para muitos aparecerem.

E não se enganem, não será apenas as autoridades policiais envolvidas, existe uma lista de pessoas e instituições que ainda vão ganhar com isso.

Na atualidade:

Autoridades policiais;
Programas específicos de televisão e rádio;
Comentaristas policiais;
Advogados penalistas comentaristas; e outros …

Futuramente:

Jornalistas escritores;
Crônicas policiais;
Livros do gênero;
Filmes brasileiros;

Bem, quanto aos acusados temos duas hipóteses.

Primeira, se forem condenados permanecerão esquecidos até que cumpram suas penas. Somente se lembrarão deles quando saírem.

Segunda, se forem absolvidos ou condenados a penas que possibilitem a permanência em liberdade, ou mínima permanência reclusos, terão direito a:

Entrevistas constantes nos noticiários escritos e televisivos;
Convites para venda da exclusividade da publicação de uma obra e recebimento de direitos autorais;
Direitos de imagem pagos para início de roteiro de filme;
Convites para festas, inaugurações e debates; e outros que cada um pode acrescentar a essa lista.

Especificamente quanto ao caso de Elisa Samudio temos acompanhado que, graças a todo acima exposto, ou seja, a falta de discrição e a ausência do absoluto e imprescindível segredo na condução das investigações, um dos acusados já menciona uma futura ação de indenização contra o Estado.

E, destarte, seu advogado, dando sequência ao raciocínio até aqui exposto, já arrolou, como testemunha de defesa, a própria “desaparecida” Elisa Samúdio.

Particularmente seria curioso ter conhecimento de qual foi o endereço fornecido para a intimação.

Realmente, inacreditável para aqueles mais atentos, mas, sem dúvida, um absurdo para os mais técnicos.

Contudo, essa atitude é toda corroborada nas sucessivas declarações públicas contraditórias, açodadas e prematuras com relação ao desaparecimento do corpo.

Ademais, alguns depoimentos já foram alterados várias vezes, não mais se sabendo, nesse caminhar, o que é verdade e mentira nessa história.

A polícia chegou a ser desacreditada com a novidade que existia, mas vivia em desuso pela falta de publicidade, de que: “me reservo o direito de falar somente em juízo”.

Os suspeitos só falam em juízo? Entretanto, todos os depoimentos informais foram revelados publicamente, até filmagem “secreta” em avião serviu de especulação, pelo menos para a mídia que adora ter seu próprio sistema de investigação e justiça; vejam o caso do colégio Base e tantos outros.

Finalizando, para não ser mais desestimulante, enfatizamos que duas pessoas desapareceram, o que era para ser investigativo passou a ser especulativo e, pasmem, está servindo a um sem número de pessoas, menos à memória das vítimas e seus familiares.

Quanto a nós, ressalvando a atuação e capacidade de poucos, de novo ficamos aguardando a melhora do sistema como um todo, a instituição e as pessoas, a fim de que tenhamos uma justiça digna e de resultados, e não de escândalos.

Parafraseando a recente infeliz, e já desculpada, declaração de Sylvester Stallone, repetimos: “Você pode explodir o país inteiro e eles ainda dizem para você, ‘obrigado e tome aqui um macaco para você levar para casa'”.

31 Respostas

  1. Andre Ruston
    | Responder

    Sem sombra de dúvidas um raciocínio que, a vista do exposto, deveria servir de base para uma normatização de conduta, tanto de policiais, quanto jornais sensacionalistas. A mídia agradece, o povo sofre, e os lúcidos choram.

  2. Rosangela
    | Responder

    É lamentável q as próprias autoridades policiais estejam (p/ mim já acabaram!!!) com o inquérito policial, única peça q as distinguem e (ainda) dá a elas o “título” de “Autoridade”…

  3. MarLúcia Pinheiro
    | Responder

    É… infelizmente é mais um caso dos muitos que se tem no Brasil que acabam em uma desordem de investigações e inquéritos policiais.
    Disse bem:
    Poucos são os policiais que se empenham em sua profissão ( para não falar raros ).
    E também poucas ou menhumas são as emissoras de tv e rádio, que dão as notícias com autenticidade, competência com especulações e apelos infundados.
    O que falta é ética e competência PROFISIONAL.
    Este caso denigre a Polícia Civil do Brasil e de São Paulo.
    Pois a Polícia Civil de São Paulo é considerada uma das melhores do mundo, em termos operacional.
    Fato este que Delegados de Polícia de São Paulo dão palestras a IACP ( International Association of Chiefes of Police )- Associação Internacional dos delegados de polícia.
    E isso a emprensa não duvulga…..

    Parabens Shinckar, pelo brilhante artigo.

  4. João Manoel
    | Responder

    Querido Shinckar, só nos resta pedir para o Grande Arquito do Universo, nos acalentar, porque infelizmente no Brasil o crime não importa de que forma for for “ele prescreve”. Não só Juridicamente mas muito mais infelizmente Moralmente.
    Do amigo que nunca prescreve

    Abs

  5. William Alfredo Attuy
    | Responder

    Brilhante comentário meu caro Dr. Luiz.
    Infelizmente estamos no Pais das Maravilhas, todavia não se surpreenda quando os protagonistas do acima exposto, não forem chamados para ocuparem cargos nos Executivos e nos Legilativos do Pais, Revista Play Boy e outros do genero.

    Faliz comentário, e muito oportuno. Grande abraço….

  6. Gianna Monteiro
    | Responder

    Cada vez mais nos deparamos na nossa “rotina” com situações que se parecem mais com filmes de ficção!!
    Quando assistimos tragédias como essas é de suma importância refletirmos à respeito e, não apenas “assimilarmos” como apenas expectadores,existem famílias inteiras sofrendo!!
    O que leva um ser humano à cometer atrocidades com seu semelhante??
    Mulheres e crianças de aparência e porte fisíco frágeis, até onde se sabe, cruelmente torturadas até a morte!!
    A policia tentando solucionar, com escassos recursos. Não podemos esquecer que diariamente arriscam suas vidas, tentando nos proteger, de uma criminalidade que parece tornar-se cada vez mais “eficaz”.
    O judiciário no qual precisamos acreditar para não perdermos a esperança de que somos uma sociedade em evolução e, que nossos semelhantes precisam ser respeitados!!
    A midia, de indispensável função em uma democracia, o quanto informa e o quanto “esta comercializando” informações para obter aundiência??
    Por que será que nada é feito para melhorar o sistema prisional??

  7. Marcos Mancini
    | Responder

    Prezado Amigo Shinckar, é com muita tristeza que observo nos comentários descritos, que a falta de ética, profissionalismo e excesso de “politica” nos assuntos que deveriam ser tratados com seriedade, são latentes nas narrações ora apresentadas. Estamos todos descrentes, mas não podemos desistir nunca… Na minha humilde opinião creio que isso tudo é reflexo das impunidades que observamos em nossa politica nacional, talvez mundial.

    Parabéns

    Forte Abraço

  8. Tatiana Galeti Martins
    | Responder

    Muito bem colocado quando dizem que é um “jogo de vaidades”. De fato Bruno está “protegido” pelo sistema penal: sem materialidade não há crime. É capaz de, no final, ele se transformar em “herói”, assim como o Adriano (ex jogador do Flamengo), que foi depor na delegacia sobre uma moto que ele havia comprado em nome da mãe de um traficante, e na porta da delegacia a criançada lhe pedia autógrafos. Os valores morais já se deturparam. Parabéns pela matéria!!!!

  9. Jorge Eluf Neto
    | Responder

    Excelente artigo. É dever das autoridades públicas que cuidam da segurança pública manter reserva sobre o andamento das investigações, não antecipando conclusões nem revelando diligências em andamento, preservar o direito de imagem e da intimidade das pessoas investigadas,que gozam da presunção constitucional de inocencia, resistindo aos apelos sensacionalistas da mídia, sem prejuízo do direito de informação da sociedade, restrita aos aspectos que não comprometam a averiguação dos fatos ligados ao crime.

  10. Aline Mayer
    | Responder

    Dr. Shinckar,

    Apreciei seu texto! Seus comentários são extremamente pertinentes e diante da diversidade de assuntos expostos, pode-se discutir a respeito de diversos assuntos jurídicos.

    Primeiramente, a liberdade de um indivíduo somente pode ser retirada através de um devido processo legal, sendo nesse garantido o direito a ampla defesa. É mister verificar que o devido processo legal se embasa no Princípio da Inocência, dessa forma a pessoa tem o direito de ser considerada inocente até declarada culpada por sentença judicial transitada em julgado; em caso de dúvida, a incerteza se inclina em favor do acusado; e o direito do acusado de se defender dos fatos que a ele se imputam. Ao se reportar ao caso do jogador Bruno, até o presente momento, não se tem um corpo, logo, ainda não há a certeza do homicídio; o indiciado Bruno não foi acusado de matar a ex-amante; nenhum depoimento o acusa claramente de ter mandado matar a moça; o depoimento do menor, que era o principal indício (no segundo depoimento, ele se contradisse), afirma que o Bruno não estava lá no momento da execução; nem a ocultação de cadáver estaria configurada. Dessa forma, ficaria a dúvida se os indiciados poderiam se tornar culpados com base apenas em indícios, ou seja, sem a materialização das provas.

    O inquérito policial é um procedimento preliminar ou preparatório da ação penal. Esse inquérito é um procedimento administrativo com a finalidade de investigar a existência de um crime, determinar o (s) agente (s) e a responsabilidade dele (s), bem como recolher e reunir provas. O caráter inquisitivo do inquérito faz com que não seja possível oferecer direito de defesa ao investigado: ele não está sendo acusado, mas colaborando com uma pesquisa feita pela autoridade policial. Além do que esse deve ser sigiloso para melhor esclarecimento do fato: a divulgação das diligências frustra o principal objetivo que é a descoberta da autoria e a comprovação da materialidade. Além das provas, há o indício e a presunção. Segundo o art. 239 do Código de Processo Penal: “Considera-se indício a circunstância conhecida e provada que, tendo relação com o fato, autorize, por indução, concluir-se a existência de outra ou outras circunstâncias.” Enquanto, a presunção é a baseado nas aparências, suposições ou suspeitas. Logo, indício é um fato indicativo e a presunção é o fato indicado. Portanto, perante o exposto, a soma dos indícios poderiam fazer com que alguém seja condenado, mesmo que não se encontre o corpo da vítima.

    Percebe-se a importância dos indícios para que se possa condenar o acusado diante da legislação atual do inquérito policial. O art. 5o, LXIII da Constituição Federal, confere ao cidadão o direito ao silêncio, assim se ratifica o entendimento de que o interrogatório é mesmo meio de defesa. Logo, o indiciado tem direito ao silêncio. Podendo esse até mesmo mentir durante o interrogatório. O Supremo Tribunal Federal pacificou a sua postura, com fundamento constitucional, quanto ao direito subjetivo do cidadão em permanecer calado, inclusive caracterizando nulidade processual a falta de informação desse direito ao indiciado ou acusado, em conformidade com o artigo 186 do Código de Processo Penal, para que o silêncio não se converta em meio ativo de prova contra quem calou. Esse direito do cidadão lhe abre a possibilidade de adotar duas posturas: ficar calado ou apresentar a sua versão fática, invertendo, para si, o ônus da prova.

    Portanto, a solução estaria em modificar a legislação do inquérito polícial relativamente a inquirição do indiciado com o escopo de facilitar a produção de provas. Inclusive, há um Projeto de Lei tramitando no Congresso Nacional relativamente a esse tema que pretende incriminar o acusado ou indiciado que mentir ou negar a verdade em processo judicial ou administrativo, inquérito policial, civil e administrativo, juízo arbitral ou ainda diante de comissão parlamentar de inquérito (CPI). Em 2009, esse Projeto de Lei foi aprovado em 1º turno e espera-se prosseguimento na Casa subseqüente.

    É relevante discutir o assunto perante um ramo do Direito que consolida-se cada dia mais hodiernamente: O Direito do Entretenimento. As pessoas públicas, como artistas, modelos e esportistas, estão sujeitos à opinião pública, principalmente, quando suas vidas estão relacionadas a um delito. Por isso, o caso do goleiro Bruno tem sido anunciado diariamente nos jornais, programas de televisão, sites de internet. Apesar de não se ter prova sobre o crime, nem sob a participação direta do atleta no crime, alguma parte da mídia o condenou antecipadamente formando a opinião pública.

    Portanto, está havendo uma supervalorização dos possíveis culpados, enquanto o crime em si não é lembrado. Os fatos fora do palco dos protagonistas não são mencionados, todavia são assuntos jurídicos, como, por exemplo, a filiação da criança de Eliza Samudio. Ao contrário, são desperdiçadas provas que poderiam comprovar num exame de DNA, como o cabelo do suposto pai, Bruno, que ao ser cortado, foi queimado.

    Outro ponto importante vem a ser a função social do Direito que é amparar a sociedade. Percebe-se que nesses casos particulares, pessoas diretamente envolvidas estão nos bastidores: o filho de Elisa que perdeu a mãe e o suposto pai queima provas para não permitir o teste comprobatório de paternidade através do DNA; as famílias das vítimas Elisa e Mariana que sofrem com a angústia de não ter o esclarecimento do crime e viverem com a esperança de possam estarem vivas.

    Diante do exposto, finalizo com suas palavras: “ficamos aguardando a melhora do sistema como um todo, a instituição e as pessoas, a fim de que tenhamos uma justiça digna e de resultados, e não de escândalos.”

    Congratulações,

    Aline

  11. Felipe de abreu
    | Responder

    Prezado Amigo Shinckar, muito bom o seu artigo, representa bem os dois casos que mais chamam a atenção nesses últimos meses.
    Eu como jornalista, sei bem como é isso, de a imprensa ficar em cima da notícia e criar tempestade em copo dágua. Uma informação quando não se tem novidade é explorada para prender a atenção do telespectador, e o IBOPE conta muito hoje em dia.
    Você coloca que é um jogo de egos, isso sempre aconteceu, é um tal que todos quererem falar, de se expor, precisa?
    O caso do Mizael Bispo e da Mércia Nakashima que acompanhei de perto parece uma novela. No começo não tinha dúvidas de que o ex namorado era o assassino, mas depois de mais de um mês, ele continua solto. Tenho minhas dúvidas, será que foi ele mesmo?
    Sempre que Mizael chegava no DHPP era tratado como celebridade, descia do carro, parava, se arrumava e depois dava entrevista e sempre alegava inocência.
    Muito se esquecem que é um crime, e a família, será que essa exposição midiática resolve e alivia a dor de uma perda tão grande?
    Forte abraço,

  12. Luisa Kalu
    | Responder

    Prezado Shinckar,

    Suas colocações são muito apropriadas, e nos levam a crer que mais uma vez, envolvidos e as autoridades presentes em várias manchetes, em breve estarão livres para seguir com suas vidas, enquanto as vítimas e suas famílias, serão como nós, cidadãos comuns, para os quais só resta, rezar para não nos expormos a situações que mais uma vez, nos tornem vítimas desta contínua e triste realidade brasileira.

    Será que durante semanas a fio, o Brasil não produziu nada de melhor do que ter em seus noticiários, a ênfase a crimes e horrores praticados e que talvez nem sejam efetivamente solucionados? Será que falta criatividade para se praticar o levantamento de notícias, que demonstrem que o Brasil ainda tem sucesso em alguma coisa?

    Forte abraço,

  13. José Maurício de Castro
    | Responder

    Caro Shinckar,

    Agradeço a gentileza da lembrança. Concordo plenamente com as suas colocações. Necessitamos de menos espetáculos e mais resultados. A discreção no trabalho policial é fundamental. Contudo, o que se vê é uma disputa pelo espaço na mídia, onde os próprios colegas estão plantando notícias na imprensa para desacreditar a chefia das investigações em MG. O resultado do caso Bruno é totalmente incerto e o advogado está apostando no quanto mais tumultuado melhor.
    Um tríplice e fraternal abraço.

  14. Rodrigo Melo
    | Responder

    As autoridades policiais só deveriam falar com a imprensa DEPOIS que o inquérito policial fosse enviado para o Ministério Público.

    Gostei do artigo, mas não sei se a frase do Stallone combina com o relatado…

  15. RAPHAEL NAPOLITANO
    | Responder

    Caro Shinckar,

    Como sempre abrangido assuntos irrevogáveis, concordo plenamente com seu ponto de vista devido, onde cada vez mais o ser humano pensa somente em si , um assunto de altíssima delicadeza para investigação policial quanto os familiares das vítimas.

    Fama por custa das desgraças de pessoas inocentes, não deveria ser visto como fama e sim crueldade, “mexer em uma ferida aberta” inaceitável.

    Aguardaremos um ponto final, se possível o mais rápido possível

    Agradeço o convite !

    Parabéns pela matéria

    Abraços

    Napolitano

  16. Rogério Gregório
    | Responder

    Shinckar,

    A questão principal é a ingerência política. Enquanto a polícia for subordinada ao Executivo, a competência será preterida pelo apadrinhamento.
    A sociedade é conivente; é fato, porque vislumbra se beneficiar desse sistema corrupto.

  17. Jacques Jean Ferraz
    | Responder

    Prezado amigo,

    Parabéns pelo artigo e brilhante exposição de idéias.

    Aproveito o espaço para externar minha indignação frente ao uso desenfreado da banalização das prisões cautelares, não estou defendendo o acusado do caso em tela, mas, sim o curso do devido processo legal o qual todos estão sujeitos a serem submetidos.

    As prisões cautelares vêm sendo tratadas ao invés de ser uma medida extraordinária, como uma circunstância cotidiana resultado de mega prisões teatrais, revestidas de vaidade, ego, interesse próprio de autoridades policiais bem como da mídia sensacionalista que se faz sempre presente, todos desejam ser tratados como protagonista se esquecem que em detrimento a suas vaidades e interesses, expõem o sentimento de famílias e a dor da perca de seus entes queridos, confundindo e população, e tumultuando o curso do devido processo legal.

    A prisão preventiva somente justifica-se quando houver uma fundada necessidade cautelar, sendo assim, podemos entender que a presunção de inocência não está para impedir a custódia cautelar do infrator, mas para reforçar os critérios de sua decretação.

    Como é descrito no Código de Processo Penal, em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, a prisão preventiva poderá ser decretada pelo Juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, ou do querelante, ou mediante representação da autoridade policial, desde que tenha um dos quatros requisitos: garantia da ordem pública; garantia da ordem econômica; por conveniência da instrução criminal; para assegurar a aplicação de lei penal.

    Observa-se que estes requisitos para a decretação da prisão preventiva não estão sendo valorizados, uma vez que algumas autoridades policiais e promotores de justiça e até mesmo juízes de direito entendem que o clamor da sociedade explorado pela mídia sensacionalista seria mais um requisito para tal decretação. O fato de o acusado cumprir todos os requisitos elencados no art. 321 do CPP e ter esse direito constitucional, conforme o inciso LXVI, do art. 5.º, não representa mais nada, uma vez que todos nós somos propensos a erros e podemos a qualquer instante cometer um crime, seja ele um mero furto como um homicídio.

    O artigo 5.º da Constituição Federal, inciso LVII, diz que ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, demonstrando em tese, que até transcorrer o trânsito em julgado, presume-se que o acusado é inocente, indo inteiramente contra a justiça capital da mídia sensacionalista que tenta exercer o quarto poder em nosso ordenamento jurídico, pois, se é considerado inocente e sendo um caso isolado em sua vida, não tem o porquê mantê-lo preso ou até mesmo decretar a sua prisão, imaginando-se que poderá futuramente o acusado vir a cometer outro crime.

    “Quem decide um caso sem ouvir a outra parte não pode ser considerado justo, ainda que decida com justiça.” (Sêneca)

    Jacques Jean Ferraz

  18. Sérgio Luís Nastaro
    | Responder

    Caro Shinckar, parabéns pelo artigo!

    Referente ao exposto, recordo-me da lição proferida pelo Prof. José Frederico Marques: “Ao contrario do que pensam alguns, não se deve tolerar um inquérito contraditório, sob pena de fracassarem as investigações policiais, sempre que surja um caso de difícil elucidação”.

    Abraços

  19. Tânea Monteiro
    | Responder

    Caro Dr. Schinckar,

    parabéns pela materia.

    “Aquele que nao denuncia o mal é conivente com ele”.

  20. Leônidas Siqueira Filho
    | Responder

    Prezado Luiz,

    O raciocínio desenvolvido no texto é adequado, porque esses casos trágicos têm sido explorados pela mídia com o incentivo de autoridades públicas, que sob o pretexto de manterem a sociedade informada – e isso é admissível em certa medida – aproveitam tais oportunidades para promoção pessoal, o que é vedado pelo art. 37, inciso XXII, § 1º, da CF.

    No caso da Advogada Mércia Nakashima assisti a um Delegado que se colocou à disposição de um programa policial vespertino por cerca de 01 (uma) hora, com a finalidade de prestar esclarecimentos sobre a prisão de um suspeito.

    Entre elogios mútuos, Delegado e Apresentador conseguiram prender a atenção do público por longo tempo, elevando “graciosamente” a audiência do programa.

    Tamanha exposição em casos de investigações policiais, como os narrados no texto, terminam por atrapalhar a apuração dos fatos, tal como verdadeiramente ocorridos, porque essa atividade fica em segundo plano a partir do momento em que as autoridades policiais começar a se preocupar em justificar alegações iniciais, que com o passar do tempo se revelam inconsistentes, fragilizando a prova e comprometendo a credibilidade da instituição.

  21. Airton José Neves
    | Responder

    Acho isto um completo absurdo!
    Além de estar se dando muita fama aos criminosos, também estão criando “armas” para que sejam burladas diversas provas.
    São chances oportunas para que as partes interessadas tenha tempo de fraudar outras provas.
    Lembro-me de um caso ocorrido em São Paulo, há cerca de 6 anos atrás, em que os proprietários de uma Escola Infantil foram acusados de pedofilia contra uma criança que acabou falecendo!
    Depois de tanta divulgação na mídia, ambos foram levados a extenso julgamento, sendo que algum tempo depois, descobriram (com provas inquestionáveis!) que ambos eram inocentes.
    Mas já era tarde demais para rever a situação por culpa de tanta exposição na mídia!
    Ambos perderam todo o patrimônio que tinham, saúde e respeito que mereciam.
    E quem vai corrigir um erro destes novamente caso voltem a ocorrer? A mídia?
    Este é o tipo de propaganda que não interessa a ninguém!!!

  22. André Canuto
    | Responder

    Infelizmente, no âmbito penal, temos observado uma série de desmandos, a mídia que usa a catástrofe para aumentar os níveis de audiência, apesar de ser a persecução penal judicial orientada pelas garantias constitucionais ao acusado, do direito penal, não ser direito de “vingança”, o que o ” povão ” quer quando grita ” justiça !!! “, na verdade, não é a tal justiça, e sim vingança, pois ninguém quer saber os motivos, o contexto, os agentes, tão simplesmente se julga o resultado, pelo resultado. Por exemplo, no caso, de uma pessoa que socorre uma vítima ensanquentada a beira da estrada, e é no momento seguinte surpreendida pela Polícia Rodoviária Federal, que acha a cerca de vinte metros do local, a arma do crime. se não houver respeito as garantias constitucionais, respeito da mídia, uma pessoa de boa fé poderá vir a ser condenada, e sobre este assunto de mídia e direito penal, basta lembrar do caso da escola base. A lei de imprensa não foi recepcionada pela constituição, mas na própria constituição temos no artigo quinto, garantias e meios para preservar a intimidade dos suspeitos e investigados. Não é só bebida alcoólica que se bebe com moderação. Além disso, devemos nos lembrar de respeitar a dor da vítima e de seus entes queridos, e preservar a intimidade destas pessoas, e não expô-las.

  23. Fernanda Rizzo Sanchez
    | Responder

    Concordo com suas colocações. E quero colocar outro ponto: cada vez mais a rede de notícias se vê às voltas com casos desse tipo, onde exploram o sensacionalismo e se esquecem de que por trás desses casos estão os familiares, que sofrem a cada notícia veiculada. Não podem se defender e ainda tem a sua vida totalmente colocada em rede nacional. É lamentável, as investigações deveriam seguir de forma discreta e sem a interferência da mídia.

  24. Mercedes Liste
    | Responder

    Prezado amigo,

    Não por mero acaso, deixei passar um tempo para me manifestar.
    Seu artigo brilhante e agudo raciocínio não me surpreenderam, pois conheço sua inteligência que sempre lhe permite uma crítica pertinente dos mais variados temas.

    O que de fato mais me surpreende atualmente é o tempo do consumo. De qualquer coisa, fato ou até mesmo pessoas. Passaram-se pelo calendário 65 dias da postagem do seu artigo e hoje este é um assunto que poderia ser classificado como “out” . Não há mais interesse. Há outras novidades para acompanhar.

    A extinção de duas vidas humanas não nos sensibiliza nem ocupa nossa mente por mais de 30 ou 60 dias. Delegados, policiais, juizes, promotores, advogados voltarão a tona quando outra vida ceifada brutalmente constituir apelo mediático. Quem sabe agora, esse menino da Escola Adventista…

    A indignação, o apelo por justiça, a luta pela verdade ficam depois como encargo único e exclusivo daqueles que sofreram a dor irreparável. Exemplos não nos faltam : Friedenbach, menino João Hélio e um rosário de outros.

    Como sociedade consumimos avidamente o sangue jorrado. Queremos saber, queremos detalhes. Os pormenores. E uma vez satisfeitos, esquecemos. Ou desistimos…. de continuar a clamar justiça, de nos indignar, de lamentar a Vida perdida, de nos solidarizar com os que ainda sentem a dor de uma perda atroz. Como se estivessemos acometidos de um certo grau de demência senil. Simplesmente esquecemos…

    Tudo que você escreveu é verdade. Após 60 dias uma triste verdade esquecida.

    Forte abraço

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