Abertura a deficientes físicos.

15 de outubro de 1998: JORNAL GAZETA MERCANTIL – seção de Trabalho – Caderno Grande São Paulo

Empresa recruta profissionais qualificados para funções no mercado

O mercado de trabalho para profissionais qualificados começa a se abrir para os deficientes físicos. Desde julho, a empresa Suporte Assessoria e Consultoria Empresarial vem recrutando profissionais, gratuitamente, já cadastrando 80, dos quais quatro já conseguiram colocação.

O recrutamento tem sido feito, inclusive, em instituições voltadas aos deficientes, mas a assessoria está com dificuldades em encontrar mão-de-obra qualificada para ocupar vagas que exigem curso superior, como as de contador e advogado. De acordo com Açucena Bonanato, diretora da Suporte, é mais fácil encontrar pessoas adequadas para funções de nível técnico, como as de recepcionista, digitador e telefonista, por exemplo.

Para Açucena, o problema está no número reduzido de núcleos organizados de deficientes físicos para a formação profissional, já que a finalidade primordial das entidades responsáveis pelo seu tratamento é a sua saúde e reabilitação física.

Além de a maioria das escolas não ter infra-estrutura para receber deficientes, as empresas não costumam oferecer treinamento para eles, que acabam não adquirindo experiência profissional. “Uma solução possível seria as empresas oferecerem treinamento a essas pessoas”, diz a diretora. Segundo ela, existem empresas dispostas a empregar deficientes, mas eles devem se aperfeiçoar numa determinada profissão para conquistar espaço no mercado de trabalho.

A Lei nº 8.213, que obriga as empresas com 100 ou mais empregados a preencherem de 2% a 5% dos seus cargos com deficientes físicos foi regulamentada em 29 de julho deste ano e não vem sendo cumprida, segundo Açucena.

Luiz de Andrade Shinckar, do escritório de advocacia empresarial Shinckar e Advogados Associados, abriu uma vaga de advogado para deficiente físico. “Em primeiro lugar por questões humanitárias, e em segundo por questões técnicas”, explica Shinckar. Ele procura uma pessoa para fazer pesquisa para defesas e pareceres, e não precisará se deslocar do escritório.

O País está acordando aos poucos para a questão de suporte aos deficientes físicos. Em 1992 o governo do estado instituiu o bilhete especial do deficiente no metrô para aqueles que não podem exercer uma atividade profissional. O bilhete é válido por seis meses, renováveis.

Todas as estações da Linha Verde (Vila Madalena – Oratório) e Vermelha (Itaquera – Barra funda) constam com elevadores especiais para portadores de deficiência física ou rampas, assim como as estações recentemente entregues (Jardim São Paulo, Parada Inglesa e Tucuruvi). Apenas o trecho Jabaquara – Santana, da Linha Azul, construído antes da lei que instituiu a obrigatoriedade da construção de rampas e instalação de equipamentos para deficientes, não possui elevadores, mas a Companhia do Metrô estuda alternativas de adaptação para atender aos deficientes físicos.

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